Resumo
Os três maiores jornais brasileiros, O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo agem como atores políticos, e suas posturas ideológicas refletem as posturas das elites dominantes de forma heterogênea. Essa tese é discutida aqui à luz de duas teorias que se entrelaçam: de um lado os níveis de análise organizacional e ideológica propostos por Pamela Shoemaker e Stephen Reese em seu modelo hierárquico de influências no conteúdo da mídia (1996) e, de outro, a tendência da mídia de intervir no debate político e engajar-se na defesa ou no processo de influência política, como sugeriram Daniel Hallin e Paolo Mancini em seu modelo de paralelismo político (2012). Esse artigo examina dados de mais de 20 estudos conduzidos principalmente por pesquisadores brasileiros sobre a cobertura dos três grandes jornais nas eleições e administrações de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Luiz Inácio “Lula” da Silva (2003-2010), Dilma Rousseff (2011-2016) e Jair Bolsonaro (2019-presente). Esses estudos corroboram a ideia de que a mídia brasileira oferece um conteúdo que serve aos seus próprios interesses e reforça o poder de grupos de elite, mesmo que menos efetivamente a par-tir de 2018. Os resultados apresentados aqui são incorporados à narrativa histórica das eleições presidenciais.
